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Moeda de 0,10 Leiloada por $500 mil

No fascinante universo da numismática, uma moeda de 10 centavos dos Estados Unidos, conhecida como Proof 1975 Dime, foi vendida por impressionantes US$ 506 mil (cerca de R$ 3,1 milhões).

Essa peça raríssima tornou-se o centro das atenções em um leilão internacional, chamando a atenção de colecionadores e investidores de todo o mundo. O que a destacou foi um pequeno erro em sua cunhagem.

A moeda homenageia Franklin Delano Roosevelt, o 32º presidente dos EUA, cujo perfil foi cunhado na peça após sua morte em 1945.

Roosevelt foi uma figura central durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, e seu apoio à March of Dimes, uma campanha de combate à poliomielite, motivou sua representação na moeda.

No entanto, foi a ausência da letra “S”, que indicaria sua origem na Casa da Moeda de São Francisco, que a transformou em uma raridade.

Nesta imagem a moeda é de 1979 e possui a letra “S” no anverso. Na moeda com erro, o ano é 1975 e faltou a letra “S”, o que a tornou raríssima.

Esse detalhe quase imperceptível tornou a Proof 1975 Dime um objeto de desejo entre colecionadores, redefinindo o mercado de moedas raras.

Essa é a moeda com o erro de cunhagem. Repare que falta a letra “S” próximo ao perfil de Roosevelt.

O leilão foi marcado por disputas acirradas e terminou com uma sala de aplausos para o lance vencedor.

A venda destacou como pequenas imperfeições podem ser altamente valorizadas no mercado numismático, uma atividade em que a atenção aos mínimos detalhes faz toda a diferença.

Eu, particularmente, não coleciono moedas com erros.

A história dessa peça evidencia a paixão e a dedicação dos colecionadores por itens únicos. É um lembrete de que, no universo das raridades, até mesmo erros minúsculos podem se traduzir em fortunas!

Origem das Serrilhas

Na Idade Média, o processo de cunhagem de moedas era manual e demandava um trabalho cuidadoso. Cada moeda era feita individualmente usando martelos e punções.

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Primeiro, o metal era aquecido e moldado em pequenos discos chamados blanks. Em seguida, o “moedeiro” colocava o disco entre dois moldes gravados – um para o anverso e outro para o reverso da moeda.

Com golpes de martelo, os detalhes eram transferidos para o metal.

Um fato curioso é que, como tudo era feito manualmente, não havia uniformidade perfeita entre as moedas, e as margens irregulares muitas vezes incentivavam a prática do clipping. Pessoas cortavam pequenos pedaços das bordas das moedas, retirando metal precioso sem que o peso fosse percebido de imediato.

Logicamente, essa raspagem (cerceamento) era feita em moedas fabricadas em ouro e prata.

Isso levou ao surgimento de peças mais elaboradas nas bordas, como as SERRILHAS, para dificultar a fraude. Assim, caso alguém raspasse, o local ficaria liso, facilitando a identificação visual do ato criminoso.

Atualmente, mesmo não sendo fabricadas com material nobre, algumas moedas trazem a serrilha.

Moedas que foram raspadas perdem o seu valor de mercado conforme a quantidade de material retirado. Portanto, fique atento ao adquirir moedas de metal precioso.

A Primeira Medalha em que eu Trabalhei na Casa da Moeda

Medalha do Centenário do Palhaço Piolin, 1998.

Quando estava com cerca de um ano de trabalho na Casa da Moeda do Brasil, fui aprovado em um concurso interno e passei a atuar no Departamento de Moedas e Medalhas.

A primeira medalha em que tive o privilégio de trabalhar foi a comemorativa do centenário do Palhaço Piolin (foto), lançada em 1998.

Recentemente, encontrei um exemplar à venda e, por coincidência, era um de nossos alunos que o estava vendendo no Mercado Livre.

Incluir essa medalha na minha coleção tem um significado muito especial.

Foi por meio dela que comecei a aprender o ofício e a dar meus primeiros passos nessa jornada.

Publicamos um vídeo sobre essa medalha. Assista:

✍ Quem é Daniél Fidélis?

Trabalhou na Casa da Moeda do Brasil de 1997 até 2017. Nos primeiros anos na empresa, aprendeu as operações de fabricação de moedas e medalhas.

Nos últimos anos na CMB, coordenou o tratamento físico-químico dos efluentes oriundos da fabricação das moedas. Dedica-se à Numismática desde sua admissão. Possui, portanto, mais de duas décadas de estudo e prática no assunto.

É professor na nossa Escola de Numismática e em outros cursos.

A partir de novembro de 2017, devido ao elevado número de alunos e ao tempo demandado à orientação, passou a se dedicar exclusivamente ao ensino.

Receba o meu fraterno abraço e até a edição #002!

Daniél Fidélis ::

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